O QUE É O YÔGA? PDF Print E-mail

"Yôga é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao samádhi." DeRose

O Yôga ensina, por exemplo, como respirar melhor, como relaxar, como concentrar-se, como trabalhar músculos, articulações, nervos, glândulas endócrinas, órgãos internos, etc. através de exercícios físicos belíssimos, fortes, porém que respeitam o ritmo biológico do praticante.

A prática completa do SwáSthya Yôga compreende oito tipos de técnicas (mudrá, pújá, mantra, pránáyáma, kriyá, ásana, yôganidrá, samyama) que vão actuar em oito áreas distintas, promovendo um aperfeiçoamento multilateral. Os efeitos sobre o corpo, sua flexibilidade, fortalecimento muscular, aumento de vitalidade e administração do stress fazem-se sentir muito rapidamente. Mas para despertar a energia chamada kundaliní, desenvolver as paranormalidades e atingir o samádhi, precisa-se do investimento de muitos anos com dedicação intensiva.

Por isso, a maioria dos praticantes de Yôga não se interessa pela meta da coisa em si (kundaliní e samádhi). Em vez disso, satisfaz-se com os fortes e rápidos efeitos sobre o corpo e a saúde.

 

Das origens até hoje

Certa vez um famoso bailarino improvisou alguns movimentos instinti­vos, porém, extremamente sofisticados graças ao seu virtuosismo e, por isso mesmo, lindíssimos. Essa linguagem corporal não era propri­amente um ballet, mas, inegavelmente, havia sido inspirada na dança.

A arrebatadora beleza da técnica emocionava a quantos assistiam à sua expressividade e as pessoas pediam que o bailarino lhes ensinasse sua arte. Ele assim o fez. No início, o método não tinha nome. Era algo espontâneo, que vinha de dentro, e só encontrava eco no coração da­queles que também haviam nascido com o galardão de uma sensibili­dade mais apurada.

Os anos foram-se passando e o grande bailarino conseguiu transmitir boa parte do seu conhecimento. Até que um dia, muito tempo depois, o Mestre passou para os planos invisíveis. A sua arte, no entanto, não morreu. Os discípulos mais leais preservaram-na intacta e assumiram a missão de retransmiti-la. Os pupilos dessa nova geração compreen­deram a importância de tornar-se também instrutores e de não mo­di­ficar, não alterar nada do ensinamento genial do primeiro Mentor.

Em algum momento na História essa arte ganhou o nome de integri­dade, integração, união: em sânscrito, Yôga! O seu fundador ingressou na mitologia com o nome de Shiva e com o título de Natarája, Rei dos Bailarinos.

Shiva


Esses factos ocorreram há mais de 5.000 anos a Noroeste da Índia, no Vale do Indo, que era habitado pelo povo drávida. Portanto, vamos estudar as origens do Yôga nessa época e localizar a sua proposta origi­nal para podermos identificar um ensinamento autêntico e distingui-lo de outros que estejam comprometidos pelo consumismo ou pela inter­ferência de modalidades alienígenas e incompatíveis.

Tanto o Yôga, quanto o Tantra e o Sámkhya foram desenvolvidos por esse povo admirável. A sua civilização, uma das mais avançadas da anti­guidade, ficou perdida e subterrada durante milhares de anos, até que os arqueólogos do final do século XIX encontraram evidências da sua existência e escavaram dois importantes sítios arqueológicos onde des­cobriram respectivamente as cidades de Harappá e Mohenjo-Daro. Depois, foram surgindo outras e outras. Hoje já são milhares de locais, distribuídos por uma área maior que o Egipto e a Mesopotânia.

Ficaram impressionados com o que encontraram. Cidades com urba­nismo planeado. Ao invés de ruelas tortuosas, largas avenidas de até 14 metros de largura, cortando a cidade no sentido Norte-Sul e Leste-Oeste. Entre elas, ruas de peões, nas quais não passavam carros-de-boi. Nessas, as casas da classe média tinham dois andares, átrio in­terno, instalações sanitárias dentro de casa, água corrente! Não se es­queça de que estamos a falar de uma civilização que floresceu 3.000 anos antes de Cristo.

Não era só isso. Iluminação nas ruas e esgotos cobertos, brinquedos de crianças em que os carros tinham rodas que giravam, a cabeça dos bois articulada, bonecas com cabelos implantados, imponentes celeiros que possuíam um engenhoso sistema de ventilação, e plataformas elevadas para facilitar a carga e descarga das carroças.

Noutras culturas do mesmo período, as construções dos soberanos apresentavam opulentos palácios e majestosos túmulos reais, enquanto o povo subsistia em choupanas insalubres. Na cultura draví­dica, ao contrário, o povo vivia bem e a arquitectura da adminis­tração pública era simples.

Outra curiosidade foi expressada por Gaston Courtillier no seu livro Antigas Civilizações, Editions Ferni, página 24, quando declarou: “Fi­cámos verdadeiramente admirados de, nesses tempos profun­da­mente religiosos, não encontrarmos templos ou vestígios da estatuária que os povoaria, como foi regra noutros lugares durante toda a anti­gui­dade, nem sequer estatuetas de adoradores em atitude de oração diante de sua divindade”. Para nós isso faz sentido, afinal, sabemos que na Índia Antiga o Sámkhya teve seu momento de esplendor. E na Índia pré-clássica, a variedade Niríshwarasámkhya, foi ainda mais fortemente naturalista que o Sámkhya Clássico.

A sua sociedade foi identificada como matriarcal, o que também está coerente com as nossas fontes, segundo as quais o Yôga surgiu numa cultura tântrica.

Cavando mais, os arqueólogos descobriram outra cidade sob os es­com­bros da primeira. Para sua surpresa, mais abaixo, outra cidade, bem mais antiga. Cavaram mais e encontraram outra cidade em baixo dessa. E mais outra. E outra mais. O que chamava a atenção era o facto de que, quanto mais profundamente cavavam, mais avançada era sua tecnologia, tanto de arquitectura quanto de utensílios. Até que deram com um lençol de água e precisaram parar de cavar mais fundo. O que nos perguntamos é: quantas outras cidades haveria lá por baixo e quão mais evoluídas seriam elas?

Bem, foi nessa civilização que o Yôga surgiu. Uma civilização tântrica (matriarcal) e sámkhya (naturalista).

Cerca de mil e quinhentos anos depois, a Civilização do Vale do Indo foi invadida por um povo sub-bárbaro proveniente da Europa Central, os áryas ou arianos. Consta, na História actual, que estes subjugaram os drávidas, destruíram sua civilização, absorveram parte da sua cultura, exterminaram quase todos os vencidos e escravizaram os poucos so­breviventes. Outros fugiram, migrando para o extremo sul da Índia e Srí Lanka, onde vivem os seus descendentes até hoje, constituindo a etnia Tamil.

O Yôga foi produto de uma civilização não guerreira, naturalista e matriarcal. A partir de mais ou menos 1.500 a.C. foi absorvida por um outro povo que era o seu oposto: guerreiro, místico e patriarcal. Cerca de mil e duzentos anos após a invasão (o que não é pouco), o Yôga foi formalmente arianizado mediante a célebre obra de Pátañjali, o Yôga Sútra. Estava inaugurada uma releitura do Yôga que, a partir de então, passaria a ser conhecida como Yôga Darshana, ou Yôga Clássico, a qual propunha nada menos que o oposto da proposta comportamental do verdadeiro Yôga nas suas origens dravidianas. O Yôga dos drávidas era matriarcal, sensorial e desrepressor, numa palavra, ele era tântrico. Essa nova interpretação arianizada era patriarcal, anti-sensorial e re­pressora, ou seja, brahmácharya.

O mais interessante nesse processo de deturpação é que se não fosse Pátañjali, o Yôga teria desaparecido dos registros Históricos. Graças a ele, que obviamente era bem intencionado e sábio, hoje sabemos da existência de sua codificação do Yôga Clássico. Os arianos discrimina­vam tudo o que fosse tipicamente dravídico devido às características matriarcais consideradas subversivas pela sociedade, estritamente pa­triarcal dos áryas. Adaptando o Yôga para a realidade ariana então vigente, Pátañjali conseguiu que a sociedade e os poderes constituídos da época o aceitassem e, com isso, tal tradição chegou até os nossos dias.

Na Idade Média o Yôga sofreu outra grave deformação, quando o grande Mestre de filosofia Vêdánta, Shankaráchárya, converteu grande parte da população. Esse facto reflectiu-se no Yôga, pois, uma vez que a maioria dos indianos se tornara vêdánta, ao exercer o Yôga a opinião pública e suas lideranças passaram a conferir um formato espiritualista ao Yôga que, desde as origens e mesmo no período clás­sico, era fundamentado na filosofia Sámkhya, naturalista.

No século XX o Yôga sofreu mais um duro golpe: foi descoberto pelo Ocidente e... ocidentalizado, é claro. Tornou-se utilitário, consumista, algo amorfo, feio e maçador.

Um Yôga legítimo é lindo de se assistir, é fascinante de se praticar e é excelente como filosofia de vida. É dinâmico, é forte, é para gente jovem. Todos os que nos visitam e assistem ao vídeo de apresentação do método ficam boquiabertos e comentam a mesma coisa: ima­gi­navam que o Yôga fosse algo parado, a ponto de requerer paciência, ou algo supostamente indicado para a terceira idade! Ora, se alguém na terceira idade resolver iniciar a prática de um Yôga ver­da­deiro corre o risco de ter uma síncope. E se for um Yôga inau­têntico, fruto de sucessivas simplificações, adaptações acumulativas e ociden­ta­lizações inescrupulosas, então não vale a pena denominar de Yôga a essa ano­malia.

O problema é que muita gente sem certificado de instrutor de Yôga atirou-se a leccionar e, como não possui repertório de técnicas, mistura um pouco de ginástica, outro tanto de esoterismo, um quê de hipnose, uma pitada de espiritismo, algo da linguagem do tai-chi, uns conceitos macrobióticos, tudo isso temperado com atmosfera de terapias alter­nativas e embalado para consumo em voz macia, com música new-age. Para o leigo, que não tem a mínima idéia do que seja o Yôga, a não ser uma visão estereotipada e falsa, essa miscelânea inverossímil satisfaz. Só que ela, de Yôga mesmo, não tem nada.

Não devemos esquecer de que a palavra Yôga significa integridade. É preciso que seus representantes sejam íntegros. Por isso, ao longo deste site, você vai ter a satisfação de conhecer uma modalidade de Yôga fascinante, lindíssima, extremamente agradável de se praticar e com uma carga de resultados capaz de deixar qualquer um perplexo. É o SwáSthya Yôga, o próprio Yôga Pré-Clássico, pré-ariano, pré-vêdico, proto-histórico, o Yôga de Shiva, Yôga Ultra-Integral, com todas as suas características Tántrika e Sámkhya preservadas e mais: a sua execução lembrando uma dança, resgatada das camadas mais re­motas do inconsciente colectivo!

Yôga tem acento?

O acento está claramente indicado, uma vez que a letra ô no sânscrito é sempre longa e fechada. As transliterações ocidentais convencionaram que as letras longas devem ser assinaladas com o acento. Este pode variar de uma convenção para outra, mas o que se observa é que o circunflexo foi adoptado por um renomado autor indiano que escreveu Os aforismos do Yôga de Pátañjali, em inglês (Sri Purohit Swami), e também pelo célebre autor (Kastberger), que escreveu o Léxico de filosofia hindu, em castelhano. Ora, nenhuma das duas línguas possui o circunflexo e, apesar disso, ambos reconheceram a necessidade da sua presença na palavra Yôga.

Durante muitos anos não se aplicou o acento uma vez que ninguém ousou questionar isso.

Primeiro, quem colonizou a Índia foram os britânicos que não tinham acentos em suas tipografias, mas possuíam uma poderosa Armada, intelectualmente muito persuasiva...

Segundo, no Ocidente conhecia-se bem pouco o sânscrito (na Índia eles não ligam a mínima se a transliteração para alfabetos ocidentais está correcta ou não).

Terceiro, há muito patrulhamento ideológico em determinados grupos de Yôga, e ninguém queria expor-se a críticas, ainda que chegasse a estas mesmas conclusões.

NO SEU ORIGINAL EM ALFABETO DÊVANÁGARI:

 

demonstração

* Embora grafemos didaticamente acima YOO, este artifício é utilizado apenas para o melhor entendimento do leitor leigo em sânscrito. Devemos esclarecer que o fonema ô é resultante da fusão do a com o u e, por isso, é sempre longo, pois contém duas letras. Nesta convenção, o acento agudo é aplicado sobre as letras longas quando ocorre crase ou fusão de letras iguais (á, í, ú). O acento circunflexo é aplicado quando ocorre crase ou fusão de letras diferentes (a + i = ê; a + u = ô), por exemplo, em sa+íshwara=sêshwara e AUM, que se pronuncia ÔM. Daí grafar­mos Vêdánta. O acento circunflexo não é usado para fechar a pronúncia do ô ou do ê, pois esses fonemas são sempre fechados. Não existe, portanto, a pronúncia “véda” nem “yóga”.

Bibliografia para o idioma espanhol:

Léxico de Filosofía Hindú, de Kastberger, Editorial Kier, Buenos Aires.

Bibliografia para o idioma inglês:

Pátañjali Aphorisms of Yôga, de Srí Purohit Swami, Faber and Faber, Londres. Encyclopædia Britannica, no verbete Sanskrit language and literature, volume XIX, edição de 1954.

Bibliografia para o idioma português:

Poema do Senhor, de Vyasa, Editoria Relógio d'Água, Lisboa.


Se alguém, supostamente entendido em sânscrito, declarar que a palavra Yôga não tem acento, peça-lhe para mostrar como se escreve o ô-ki-matra. Depois peça-lhe para indicar onde o ô-ki-matra aparece na palavra Yôga (ele aparece logo depois da letra y). Em seguida pergunte-lhe o que significa cada uma das três partes do termo ô-ki-matra. Ele deverá responder que ô é a letra o; ki significa de; e matra traduz-se como acento. Logo, ô-ki-matra traduz-se como “acento do o”. Então, mais uma vez, provado está que a palavra Yôga tem acento.

Para que serve o Yôga?

"O Yôga não visa a resolver as mazelas do trivial diário
e sim a grande equação cósmica da evolução."

 DeRose

Quando se fala sobre Yôga, surge logo a pergunta: “para que serve o Yôga, quais são os benefícios que proporciona?” Pense bem: por que o Yôga precisa proporcionar algum benefício?

Nestes últimos 50 anos, não houve um entrevistador de televisão que tenha deixado de fazer essa indefectível pergunta, ao iniciar seu diá­logo com um instrutor de Yôga. Raras são as pessoas que, ao ser ins­tadas por um amigo a praticar Yôga, não perguntem a mesma coisa, como se estivessem a declarar: “Está bem, posso até praticar Yôga, mas o que eu ganho com isso?”

Se essa pessoa fosse convidada a praticar Ténis, Karaté, Natação ou Dança, perguntaria para que serve cada uma dessas modalidades, ou que benefícios receberia em troca, se concedesse a graça da sua presença?

Não é convincente a justificativa de que é preciso fazer tal pergunta por ninguém conhecer bem o Yôga. Isso pode servir para os segmen­tos semi-analfabetos das populações pobres, mas não para as classes medianamente instruídas. O Yôga está expressivamente difundido há mais de um século no Ocidente. É difícil encontrar um ginásio que não tenha aulas de Yôga. Rara é a revista ou jornal que não publique pelo menos uma reportagem por ano sobre o tema. Portanto, trata-se de uma postura viciosa, saída não se sabe de onde, essa que induz a po­pulação a fazer automaticamente aquela pergunta nada lisonjeira.

Por qual motivo o Yôga precisa proporcionar algum benefício? Golfe, Tenis, Aeróbica, Rugby, Skate, Surf, Ginástica Olímpica e muitas ou­tras actividades físicas são proverbialmente prejudiciais à coluna, arti­culações, ligamentos, mas, apesar disso, legiões dedicam-se a elas, mesmo sabendo que trazem mais malefícios do que benefícios. Al­guém perguntaria: “Para que serve a Ginástica Olímpica? Que bene­fícios me proporcionaria? Sim, porque preciso saber antes de decidir praticá-la. Como é que eu entraria sem saber para que serve?”. Para que serve aprender pintura, escultura, teclado ou canto? Alguém em sã consciência cometeria tal questionamento?

O SwáSthya Yôga

(PRONUNCIE: “SUÁSTIA YÔGA”)

 

"Há uma coisa mais forte
do que todos os exércitos do mundo,
e isso é uma Ideia cujo tempo chegou."

Victor Hugo

SwáSthya Yôga é o Yôga mais integral que existe .

SwáSthya, em sânscrito, língua morta da Índia, significa auto-suficiên­cia (swa = seu próprio). Também embute os significados de saúde, bem estar, conforto, satisfação. Pronuncia-se “suástia”. Em hindi, a língua mais falada na Índia, significa simplesmente saúde. Nesse caso, com o sotaque hindi, pronuncia-se “suásti”. Não permita que pessoas pouco informadas confundam SwáSthya, sânscrito, método antigo, com SwáSthya (“suásti”), hindi, que daria uma interpretação equivo­cada com conotação terapêutica. Consulte a respeito o Sanskrit-En­glish Dictionary, de Sir Monier-Williams, o mais respeitado dicionário de sânscrito.

A definição formal do nosso Yôga:

SwáSthya Yôga é o nome da sistematização do Yôga Antigo, Pré-Clássico, o Yôga mais completo do mundo.

 

Registe esta informação importante

Só é SwáShya Yôga se tiver estas características. Mesmo a modalidade heterodoxa, precisa observar os itens 2 a 8, abaixo. Se alguém lhe ensinar algo com o nome de SwáSthya Yôga e não respeitar estas particularida­des, não é o nosso método.

Ainda que a pessoa em questão tenha feito curso de formação connosco e possua certificado de instrutor, uma vez formada tem a autonomia para ensinar o tipo de Yôga que bem entender, já que o Yôga Antigo (SwáSthya) contém em si os elementos constituintes de praticamente todos os demais ramos de Yôga. Alguns instrutores mantêm-se fiel­mente dentro da linha que os diplomou. Outros se desviam, mesclam sistemas e passam a transmitir versões apócrifas. Portanto, muita aten­ção a este tema, você que pratica, você que ensina, você que pretende tornar-se instrutor.

SwáSthya Yôga é o próprio tronco do Yôga Antigo, Pré-Clássico, após a sistematização. O SwáSthya Yôga mais autêntico é o ortodoxo, no qual cada prática é constituída por oito partes.

Uma das principais características do SwáSthya Yôga é o ashtánga sádhana. Ashtánga sádhana significa prática em oito partes (ashta = oito; anga = parte; sádhana = prática). Utilizamos diversos níveis desse programa óctuplo. O primeiro nível, para aqueles que já foram autori­zados a ingressar no Yôga Antigo, é o ády ashtánga sádhana (ádi/ády = primeiro, fundamental), o qual é constituído pelas oito partes seguin­tes, nesta ordem:

1) mudrá

gesto reflexológico feito com as mãos;

2) pú

sintonização com o arquétipo; retribuição de energia;

3) mantra

vocalização de sons e ultra-sons;

4) pránáyáma

expansão da bioenergia através de respiratórios;

5) kri

actividade de purificação das mucosas;

6) ásana

técnica corporal;

7) yôganidrá

técnica de descontracção;

8) samyama

concentração, meditação e hiperconsciência.

Existem vários tipos de ashtánga sádhana. A estrutura acima é a pri­meira que o praticante aprende. Denomina-se ádi (seguido de palavra iniciada por vogal o i se transforma em y, ády). O segundo tipo é o viparíta ashtánga sádhana. Depois virão mahá, swa, manasika e gupta ashtánga sádhana, somente acessíveis a instrutores de Yôga.

Entretanto, se você não se identifica com esta forma mais completa, em oito partes, existe a opção denominada Prática Heterodoxa.

Análise dos 8 angas:

1) Mudrá
É o gesto ou selo que, reflexologicamente, ajuda o praticante a conse­guir um estado de receptividade superlativa. Mesmo os que não são sensitivos podem entrar em estados alfa e theta já nesta introdução.

2) Pújá (manasika pújá)
É a técnica que estabelece uma perfeita sintonia do sádhaka com o arquétipo desta linhagem. Com isso, seleciona um comprimento de onda adequado a esta modalidade de Yôga, conecta o seu plug no com­partimento certo do inconsciente colectivo e liga a corrente, estabele­cendo uma perfeita troca de energias entre o discípulo e o Mestre.

3) Mantra (vaikharí mantra: kirtan e japa)
A vibração dos ultra-sons que acompanham o "vácuo" das vocaliza­ções, neste caso do ády ashtánga sádhana, tem a finalidade de desescle­rosar os canais para que o prána possa circular. Prána é o nome gené­rico da bio-energia. Somente depois dessa limpeza é que se pode fazer pránáyáma. O SwáSthya Yôga utiliza centenas de mantras: kirtan e japa; vaikharí e manasika; saguna e nirguna mantras.

4) Pránáyáma (swara pránáyáma)
São respiratórios que bombeiam o prána para que circule pelas nádís e vitalize todo o organismo. E também a fim de distribuí-lo entre os milhares de chakras que temos espalhados por todo o corpo. Bombear aquela ener­gia por dutos obstruídos pelos detritos decorrentes de maus hábitos ali­mentares, secreções internas mal eliminadas e emoções intoxicantes, pode resultar inócuo ou até prejudicial. Por isso, antes do pránáyáma, procede­mos à prévia limpeza dos canais, na área energética. Utilizamos 58 respi­ratórios diferentes.

5) Kriyá
São actividades de purificação das mucosas, que têm a finalidade de auxiliar a limpeza do organismo, agora no âmbito orgânico. Em se tratando de Yôga, só se deve proceder às técnicas corporais após o cuidado de limpar o corpo por meio dos kriyás.

6) Ásana
Esta é a parte mais conhecida e característica do Yôga para o público leigo. Não é ginástica e não tem nada a ver com Educação Física. São técnicas corporais que produzem efeitos extraordinários para o corpo em termos de boa forma, flexibilidade, musculatura, equilíbrio de peso e saúde em geral. Para aproveitar ao máximo seu potencial, os ásanas devem ser precedidos pelos kriyás, pránáyámas, etc. Aplicamos milhares de ásanas. Os efeitos dos ásanas co­meçam a manifestar-se a partir do yôganidrá.

7) Yôganidrá
É a descontracção que auxilia o yôgin na assimilação e manifesta­ção dos efeitos produzidos por todos os angas. A eles, soma os pró­prios efeitos de uma boa recuperação muscular e nervosa. Mas aten­ção: yôganidrá não tem nada a ver com o shavásana do Hatha Yôga. Sha­vásana, como o nome já diz, é apenas um ásana, uma posição, em que se relaxa, mas não é a ciência do relaxamento em si. Essa ciência chama-se yôganidrá e ela não consta do currículo do Hatha Yôga. Por isso muitos ins­tru­tores de Hatha Yôga censuram o uso de música ou de indução verbal do ministrante durante o relaxamento. O yôganidrá aplica não apenas a melhor posição para relaxar, mas também a melhor inclinação em relação à gravidade, o melhor tipo de som, de ilumina­ção, de cor, de respiração, de perfume, de indução verbal, etc.

8) Samyama
Esta técnica compreende concentração, meditação e samádhi "ao mesmo tempo", isto é, praticados juntos, em sequência, numa só sen­tada (etimologicamente, samyama pode significar ir junto). Se o prati­cante vai fazer apenas concentração, chegar à meditação ou atingir o samádhi, isso dependerá exclusivamente do seu adiantamento pessoal. Assim, também é correcto denominar o oitavo anga de dhyána, que si­gnifica meditação. É uma forma menos pretensiosa.

Portanto, mesmo uma prática de SwáSthya Yôga para iniciantes, como este conjunto de oito feixes de técnicas que acabámos de analisar, será bem avançada em comparação com qualquer outro tipo de Yôga, já se prevendo a possibilidade de atingir um sabíja samádhi.